sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sexta insone, ensejo pungente de criar e postar uns versos...

Asas

Quem disse que não temos asas?
Todas as asas voam?
Todos os ventos derrubam árvores?
Será que todas dão frutos, folhas, ou contemplam jardins?
Frutas frescas, secas, orvalho, ou flores sem cheiro....
Delas ainda podemos extrair aromas, cores, até mesmo lágrima....

Do outro lado não me lembro a hora que quero,
Me vem em fios de meada,
e logo me perco na estrada, e nem que queira, se foi...
Quando virá?
Se nem de mim sou capaz de saber,
como poderia ir até?

Não saber de tudo é dom essencial,
E de nada, é dom de buscar.
Vontade é mar, verdade nem sei...
Brinco dourado de nobres pedras.

Tempo é quem diz, agora sempre é,
Sonho é asa, cabeça também é asa.
Vida é coração, alma, andar...


Eduardo Lima Milholi

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mais uma poesia, curioso, achei que postaria uma por dia......mas aí vai outra também de 2010.

Gosto muito dessa obra, do tudo que me chega cada vez que leio.


Unguento

Descobri que o silencio também entoa canções,
E que voz silencia multidões, derruba dragões e freiras...
Camponesas cuidam de não serem felizes,
E invejam estrelas livres no universo.

Melancolia das tardes de abril...
Azul anil é a cor do sono dos animais,
Branco é o sangue dos seringais,
Propulsores mortais, simples demais.

Sinais da caríssima sobra que ainda suplicarão
Colo, vida em cantos longe daqui,
Sonhos arrependidos, chorando com os flagelados,
Lama seca, lama mesmo, fim já visto.

Homens fortes em órbita,
Filhos fracos ao calor da crosta.
Saudades de sono e vento,
Músculos, unguento.


Eduardo Lima mIlholi

domingo, 24 de julho de 2011

Domingo...

E é nessa noite de domingo que posto mais uma de minhas poesias!


Sambar

E é que de boba nada tem,
Bambolê só disfarça a vontade,
Imenso desejo de ser bamba.
Boneca de quadris chaqualhados,
Veloz movimento de pés e mente.

Faces rubras, suadas, salgadas...
Sorriso estampado e gritante.
Deslumbra o teu palco particular,
Quem foi que falou em pudor?
De que? Contra quem?

Manejo harmônico do corpo,
Encanta seu publico sedento...
Suculenta mulata, filha desse chão,
Vai que a vez é de sua dança!
Orgulha teu povo, sofrido e amassado!

Desfila tudo que tens preparado,
Passeias de cá pra lá...
Enquanto rolam as lágrimas de pierrot,
Gargalhe junto a colombina.
Que pra traz fique o mal, hoje é carnaval...


Eduardo Lima Milholi

sábado, 23 de julho de 2011

Boas vindas!

Obrigado, e seja bem vindo a este blog onde deixarei um pouquinho de mim, poesias, composições, arte, enfim, tudo que vez em quando me vem exigindo que eu torne em versos. Gosto muito de escrever mas deixo bem claro que sou muito leigo nessa área, escrevo apenas pela maravilhosa sensação de dar voz a ideias que me vem por algumas vezes, não vivo sem música, e acredito que a arte seja a voz do espírito, a conexão da alma com todo mundo exterior, a melodia que acompanha a vida de cada ser desse universo.

Para a primeira postagem usarei uma de minhas poesias escrita em 2010.


Fardo

Se dessa vez ainda não entender,
Banhe-se no mar e tente outra vez.
Convida-te a uma conversa consigo,
Expressando seu fardo pesado
Não negue seus poucos vinténs,
Suas facetas, tua pseudo-sorte...

Deixe para traz seu acervo mascarado,
As velhas cenas já não convencem,
Sequer o vento ainda acredita.
Nem seu próprio jardim espera visitas suas
Desprezado pela vida, tão pouco a morte te quer,
Siga sem voz nem cor, homem vencido...

Só te resta curtir a solidão de ser nada,
Pobre conforto do não, imensidão de erros.
Frágil ser sem rumo, sem gosto...
Imensurável desejo de colo,
Inigualável sensação de fracasso,
Pássaro machucado, já sem vida...


Eduardo Lima Milholi